Instagram

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

somos quem podemos, sonhos

Como trilha sonora, uma voz rouca, melosa e quiçá suada, repete o mesmo verso sem parar. "A fila anda, amor. A fila anda". No ar, o cheiro de fritura de pastel se mistura ao aroma da chuva que cai no asfalto quente. Não tão sóbrio, o homem de boné azul que vende algodão doce, experimenta uma tarde cinza, sem açúcar, sem nada. Ele encosta o cotovelo esquerdo na cerca, e olha com um sorriso torto as pessoas que andam mais rápido do que costume, por conta dos pingos que caem do céu...
Coloca a mão no bolso da calça jeans suja para alcançar o troco da moça que pegou um algodão verde para o seu filho de cabelo laranjado. O homem pára mais uma vez, a observar o movimento, agora bate o instrumento sonoro típico dos vendedores de algodão doce enquanto olha para as nuvens, que parecem algodão...


Texto meu.
Foto de Ricardo Fabrello, disponível em
Olhares.com

3 comentários:

  1. Oi Scheylinha!
    Brigada pelo comentário, querida!
    Amei seu texto... olha, eu dei algumas palestras sobre redação (acredita?! :P) esse ano aqui na Bahia, e garanto que, se me pedirem para dar outra, uso o seu texto!
    Que riqueza de detalhes, menina. Lindo, apaixonante. A foto também!
    Beijo!
    E aparece quando quiser no Tudo que tem nome, tá!?
    =)

    ResponderExcluir
  2. Esse texto desperta os sentidos, senti cheiro de fritura, gosto de algodão doce, senti a textura do jeans sujo e vi tudo...
    =**

    ResponderExcluir
  3. Aqui estou eu.
    E aí está você lendo esse comentário.
    Espero que esteja bem.
    Adorei o post e sinto sua falta
    =*

    ResponderExcluir