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sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Sometimes, someone just wants to die...

Fazia muito calor naquela manhã de dezembro. O sol reluzia na parede, mostrando imagens que mudavam conforme o lugar de onde se observava. E ela sentiu um aperto no peito, como daqueles que eram comuns na sua adolescência. Olhou pela janela e a brisa morna a convidava a partir, para qualquer lugar, para casa...
Já não lembrava como se chamava e prefiria não ser chamada. Tinha diariamente os amparos de uma mulher que afirmava ser sua filha, porém não reconhecia aqueles olhos.
Impulsionada pela sensação de liberdade daquela manhã, ela saiu pelo portão da frente, enquanto ninguém olhava, descalça e com a sua cesta de frutas na mão. Ainda com a camisola de algodão branca, deu alguns passos rumo à vida. Até ser interpelada por gritos: "Mamãe, mamãe!" - (era novamente aquela que lhe rendia cuidados). "Aonde você vai?" - questionou. "Para casa!", ela gritou, com veemência e fé.
"Mas sua casa é aqui mamãe", insistiu a mulher, com lágrimas nos olhos.
Então ela retornou, com a sensação de derrota, mais uma vez. Sabia que um dia encontraria o seu caminho para casa. Sabia disso, agora mais do que nunca...

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

É

Como diz o clichê:
Essas são as irmãs que eu pude escolher.
Foto: Timer 10segundos, numa tarde ensolarada, em Irati.

Amigo, eu me desesperava...

"Era feito aquela gente honesta, boa e comovida, que tem no fim da tarde a sensação de missão cumprida. (Mas) o passado é uma roupa que não nos serve mais." Belchior
Ela perguntou:
- A gente não precisa fazer o que não quer, né pai?
- Não. Não precisa - respondeu, ocupado, sem nem prestar atenção ao que a filha questionava.
Com o tempo ela percebeu que precisava sim, fazer o que não queria, falar com quem não gostava e sorrir para manter a ordem. Quando criança nada disso importava, era mais fácil. Se não gostava fazia careta, se queria ir embora, chorava. Mas agora, na lira dos vinte anos, não pode mais agir como outrora. Depois de manter as aparências ela fica mal. Pensa: "Por que fiz isso?". É estranho não encontrar respostas. Ela queria ser mais sincera, espontânea, feliz. Mas é politicamente incorreto ser natural, aqui, no mundo artificial.
"She walks along the edge of where the ocean meets the land, just like she's walking on a wire in the circus" Round Here - Counting Crows.

domingo, 9 de dezembro de 2007

time, only time

Ele falou coisas que nunca deveriam ser ditas.
Eram feridas incuráveis, ela sabia, mas não compreendia o porquê de tantas palavras rudes. Ultimamente estava tão fácil irritá-lo e a situação fugia ao controle. E nem chorar ela conseguia, parecia que a cada dia estava mais difícil sentir... Cada dia mais... Amanhã a vida continua, eles fingirão que está tudo bem.
Mas por dentro, ela grita.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Calma, tudo vai ficar bem...

Enquanto andávamos pela calçada irregular, ela segurou firme em minha mão... Era medo o que sentira! Um medo saudável e puro. Após uns segundos, como quem desafia, perguntei: "Como é que as estrelas nunca caem do céu? Eu não entendo..." E ela, sem titubeios, e com uma tranqüilidade sensata, respondeu: "Os anjos seguram todas, ué, como mais seria?". Após tão convicta resposta, senti a brisa suave daquela noite de primavera, com mais fé do que antes.