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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Ela sorriu para mim

Hoje a tarde uma senhora de cabelos de vovó sorriu para mim. Ela estava me observando, eu percebi. Quando retribui o olhar, senti nela algo de nostálgico, algo de reminiscente e bonito. Aquela mulher deve ter voltado alguns anos nas suas lembranças, talvez tenha trazido à memória a sua juventude, o tempo em que ela também andava pelo mundo sem desconfianças ou comprometimentos. Num simples mover de lábios, deixando transparecer os dentes, senti o peso quase leve dessa peça que nos arma o tempo. Sempre ele. Após passar por mim, fiquei com a cegueira causada pelo reflexo do sol nos seus óculos, um momento apenas, e logo ela sumiu por entre as ruas com calçadas enfeitadas por flores rosa caídas dos pessegueiros. Segui observando as casas, certa de que cada casa é um reino. Às vezes, quase sempre em dias de nuvens branquinhas, dá para ver atrás das janelas entreabertas. Fotografias de família colocadas na estante, ao lado da televisão; pequenos enfeites empoeirados, todos têm. Outras vezes apenas o jardim entrega os gostos, ou um varal repleto de roupas recém-lavadas, onde está a toalha usada no almoço de domingo, o suéter que foi um presente antigo, a calça marrom preferida do menino, ralada no joelho, após tantos tombos no asfalto. Respiro a brisa suave e sinto esvaziar-se de mim um pouco mais do tempo. O mesmo tempo que mostrado em suspiros por aquela senhora que eu vi no começo da tarde.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

filmes em retalhos

Ultimamente tenho visto uns. Cenas bonitas, entre elas a dança das mãos de Santiago, o acordeom mágico de Janna, a lúcida tristeza de Yesterday. Desses eu gostei.

Legenda da imagem: Yesterday; Santiago; House of fools; Estômago; Minha vida sem mim; Paris, te amo; Uma vida iluminada; Garden State; Valentim; Juno; O passaporte húngaro; O homem que não estava lá.

sábado, 15 de agosto de 2009

flo-rir (...!)

"Você sabe que não deve acreditar em mim", alertava, enquanto tinha o rosto virado, a mirar as réstias solares que iluminavam os dentes das crianças na praça. Pensava em coisas como nuvens e alfaces, sentindo na boca um gosto de dejá vù. "Será que sempre será?", (isso em forma de balão-algodão). Tudo tão distante no tempo e no espaço semi-sideral-vilão (argh!), tudo tão perto que quase-que-quase encosta a mão. Mas então houve silêncio e o já visto virou fumacinha (plim!). Voltou-se para ele, que agora observava o chão com sua calçada cinza e concretamente sofrida. (Ah!), dois universos tão distintamente parecidos, não tem como dar música, apenas ruídos e um ou dois sorrisos. Mas vez ou outra aquele ali se transforma no seu porto seguro, longe das avenidas e alamedas e tristezas e e's. Só por isso, e por nada mais, ela deixa estar, deixa vir, deixa florescer. E, assim, ambos continuam seguindo, florindo.

Foto e texto meus.