quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Dia a dia

As imagens e o texto escrito pelo fotógrafo Antanas Sutkus para a exposição ‘Um olhar livre’, que está no Museu Oscar Niemeyer, foram uma das coisas bonitas que vi nos últimos dias. Tanto é que decidi publicar aqui alguns trechos. A mostra fica lá até o início de maio, #fica a dica :)

“O dia a dia é algo entediante [...] é universal, ele não se sujeita a ninguém [...] Frequentemente, o homem moderno não tem tempo para o dia a dia. Quando vemos a neve pela manhã, praguejamo-la por causar dificuldades nas estradas, mas nos esquecemos que a neve é branca e macia [...] Os supermercados tomaram os lugares das igrejas e dos museus. O lema principal é ‘trabalhar, comprar e morrer!’. Tal dia a dia também existe, e este é o modo injustiçado de vida. O dia a dia se perdeu entre chamadas telefônicas, reuniões importantes, informação eletrônica e escândalos políticos. Eu preciso disto?”. 


Vulto

Na eterna sina de correr para o que se é, a gente segue indo para lá, sem saber ao certo onde isso fica. No caminho, aquela frase do filme vai martelando. “O rato come queijo, o gato bebe leite e eu sou palhaço”. Simples, não é? Quem dera. O bom é que o poeta garantiu que a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.

Para Mari.
Foto: Divulgação.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Sobre paredes

Assumo: o tempo realmente tem passado. Percebo isso pela parede do meu quarto. Ela ‘nasceu’ cor de pêssego, aí foi pintada de verde clarinho e agora é branca, mas fica fácil constatar que existiram outras camadas não tão alvas, de anos não tão antigos. São dezenas de sinais de buracos, localizados em diversos locais onde tantas estantes estiveram. Na vida, a gente recorre várias vezes ao uso de massa acrílica, embora os consertos nos desconcertem.



quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Ela possui a estranha mania de ter fé na vida

Retrospectiva 2011

Eunice Terezinha Pires, 46 anos, agente comunitária de saúde.

É interessante refletir sobre o que sobra depois de invadir a vida de alguém em busca de alimento para uma reportagem. Quase sempre, fica pouco: só o telefone na planilha do excel. Em outras situações, no entanto, acabo cativando o outro e me torno responsável pela afeição. No começo do ano, conheci a Eunice, uma mulher de simpatia larga e abraço sincero. Nossa ligação foi imediata e ela confiou a mim um pedaço da sua história, sem medo, sem frescura. A mulher telefonou logo depois da publicação da matéria que falava dela e me disse coisas bonitas. Aí eu deixei de ser repórter e ela deixou de ser personagem. Não demorou para a agente de saúde se tornar assinante do jornal. "Todo dia pego a edição e procuro uma foto sua para mostrar para a minha filha, mas nunca encontro. Não tem jeito mesmo, né? Você só fica atrás das câmeras", reclamou, na semana passada.


quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Pedrão, a ximbica e o tal do YouTube

Retrospectiva 2011


Pedro Bonavigo, 66 anos, agricultor e músico. 


“Pegue a toalha e o sabão, embarque na ximbica e vamo embora pro Jordão”. Com o xote contagiante aliado ao videoclipe inusitado, Pedrão Gaiteiro, de fato, “arrumou um jeito para sua diversão”. A ideia de produzir o clipe partiu de familiares. Depois de ponderar um pouco sobre a proposta, ele topou. Por consequência, a esposa Vitória aderiu ao projeto. “Eu perguntei se ela queria que eu arrumasse um 'avião' de biquíni para aparecer na filmagem, aí ela topou na hora”, brinca. O casal seguiu o script a risca e se saiu bem no momento de interpretar os versos. Foi sucesso. E ainda é. Até ontem, o vídeo tinha sido exibido 31.865 vezes no YouTube. “Eu nem sei mexer nesse ‘troço’”, confessa.


Publicado na íntegra no Diário de Guarapuava, em maio.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O melhor presente é estar presente

Esta semana, a família virou a dor pelo avesso e o dia do reencontro chegou, sem aviso.
“Parece que a viagem de Rondônia a Guarapuava foi eterna. Depois de passar por Cascavel, pensávamos que estávamos chegando em todas as luzes que víamos pela janela! Mas não era. Aquelas horas dentro do ônibus foram mais longas do que todos os anos de distância [mais exatamente 29 anos]”, conta Altair.
“Quando ele ligou dizendo que estava na rodoviária, saímos correndo. Eu acabei perdendo os chinelos, a mãe foi bem descabelada. Meu carro não funcionou, peguei as chaves do meu irmão e nem avisei. Foi uma emoção enorme”, lembra Alaor.
E eu, que nada tinha a ver com tudo isso, acabei recebendo de presente a possibilidade de contar a história. Leia neste fim de semana, no Diário de Guarapuava. E Feliz Natal!


segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Cores escondidas

Novamente digo que a beleza não é luxo, mas uma necessidade de todos os seres humanos. Veja o exemplo de Dona Tereza e Seu Eduardo: eles são pessoas do tipo mais humilde que se pode encontrar nas ruas da cidade. Tiram o sustento dos descartes alheios, coletando materiais recicláveis para vender ou reaproveitar. Vários objetos são incorporados pela família e passam a ser parte da paisagem do pequeno barraco de dois cômodos onde o casal mora. Quem olha sem atenção para a casa, pode ver apenas sujeira e miséria. No entanto, ao observar a estante, perceberá embalagens de xampus Seda que esparramam cor no ambiente. Será que são só plásticos vazios? Ou são poesias que acalentam olhos cansados no fim do dia?


sábado, 10 de dezembro de 2011

I'm here

Ainda na onda das dicas meio "ultrapassadas", segue um breve filme sobre o amor. Lindo.


Inspirador

Ok, estou sendo retardatária, pois o projeto acabou em outubro. No entanto, as imagens lá disponíveis são inspiradoras e valem o registro. A ideia do fotógrafo canadense Julian Bialowas foi postar uma foto com uma frase por dia. Simples assim. Confira o 365q.


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Por que uma menina de 13 anos não deve namorar?

Eu não gosto de generalizar. Devem existir meninas (e meninos) de 13 anos que sejam maduros (embora eu nunca tenha conhecido algum). Dia desses, estava andando tranquilamente quando uma garota me interrompeu desesperada.
- Moça, por favor, me empresta o celular?
Ela estava nervosa.
- Sim, o que aconteceu?
- Perdi meu namorado... Ele estava ali, aí brigamos e eu fui para um lado da XV e ele para outro.
- Hmm, chato heim? – respondi desinteressada enquanto procurava o aparelho na bolsa.
- Ele está com meu celular e com a chave da minha casa.
- Nossa...
Passo o celular e ela disca freneticamente, com as mãos tremendo. O rapazinho não atende. A menina fica mais aflita.
- Eu amo muito ele. Mas às vezes sou criança e faço bobagens (será?).
- Ele mora longe? – interrogo.
- Muito. Ai, ele não me atende, o que eu faço agora?
Eu estava achando a cena muito inusitada (por que essas coisas sempre acontecem comigo?). No momento em que ela pediu um conselho, fiquei em dúvida se dava uma lição de moral ou se me colocava no lugar dela. Preferi a segunda opção, bem mais divertida.
- Você precisa mesmo dessas chaves para entrar em casa? Vá embora e pegue as coisas com ele amanhã.
- Ai, preciso sim. Minha mãe vai me matar, porque ele tá com o RG dela também.
Aí a história ganhou novos caminhos. O moço bravo some com celular, chaves e documento da sogra. Complicado! Digo:
- Xi... Acho que você deveria ficar mais uns minutos ali na frente da Catedral então. Vai que ele se arrepende e volta?
Em todo esse tempo ela estava discando os números sem parar. De repente, começou a falar com o tal “homem” da sua vida. Não sei se ele realmente atendeu ou se ela inventou o diálogo para poder me deixar ir embora. A conversa foi marcante. Algo assim:
- Oi, amor! Amor, vem aqui, por favor. Amor, estou passando mal. Amor, vem me encontrar na frente da Catedral? Amor, desculpa pelo o que eu falei. Tô muito mal, até emprestei o celular de uma mulher aqui na rua. Você vem? Tá? Então tá. Tá.
Ela me devolve o telefone, diz obrigada sem muita gratidão e sai correndo. Eu só penso: Ai que dó dessa adolescência, ai que dó.