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quinta-feira, 23 de abril de 2009

da série Profissões!

Ao som de uma canção dançante, o indicador da mão direita se remexia ao lado da cabeça da cartomante. Embalada por um ritmo avesso às batidas que ouvia no bom e velho companheiro 'Radinho Vermelho', ela observava o evaporar da tarde com graça, no meio da muvuca que é a feira de praça. O dia estava fraco para clientes,e ela bem sabia que isso aconteceria - viu numas cartas -, por isso foi preparada com duas pilhas extras, para o caso de que um acaso qualquer lhe obrigasse a ficar sem as músicas das estações FM's. (É que o som a entrete e não deixa que ela se entristeça ao lembrar do que descobriu dia desses sobre o seu futuro). "E tem quem diz que é fácil ser cartomante", resmunga.


Foto minha, Curitiba-PR.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Seguindo a estrada amarela.

“até onde a vista alcança,
tudo pertinho,
a quilômetros de distância”

Dorothy e seus cabelos alaranjados, canelas finas, sapatinhos vermelhos cheios de mistério, olhos-estrela. Acabou de chegar num mundo colorido, onde as cores têm cores e cheiros, “talvez seja o algum-lugar-depois-do-arco-íris”, ela acredita. Anda e anda com seu cachorrinho Totó, só nos paralelepípedos amarelos, seguindo a recomendação dos anões de vozes finas. Seus amigos são os mais inusitados: um espantalho que quer um cérebro, para poder se sentar no sofá e colocar a mão no queixo e pensar (que desejo de se ter, alguém dirá). Um homem de lata ansioso por um coração, porque sonha em ser sentimental e romântico, ele contou que acha triste não ter esse membro pulsante perto do pulmão. Ingênuo, não? E tem o leão sem coragem, bizarro, choroso. Seu rosnado não assusta nem quem é bem medroso. Lá também existem as bruxas, ah, as bruxas más são magras e feiosas, e sempre aparecem para atazanar quando tudo quase está dando certo. Mas reconforta saber que nenhuma delas derrota quem é do bem, tá é um mundo encantado, vamos considerar. E logo surge alguém só para ajudar a bela moça a voltar ao Kansas. (É que mesmo que lá seja tudo em preto e branco, não há melhor lugar do que o nosso lar).

Talvez um dia ou outro possa dizer que encontrei um mágico qualquer que me deu numa caixa todos esses sonhos de Dorothy e seus amigos, a troco de uma vassoura queimada. Sabedoria, amor, coragem e um lugar neste mundo. “Mundo, mundo, vasto mundo. Se eu me chamasse Raimundo seria uma rima, não seria uma solução. Mundo, mundo, vasto mundo, mais vasto é meu coração”.

Texto meu, após lembranças de O mágico de Oz.

No começo, haicai de Alice Ruiz. Ao fim, citação de Drummond.

sábado, 4 de abril de 2009

Puro sangue e seu rei escudeiro

Pïqüy (com dois tremas, sim) era um alguém bem amado. Aonde chegava fazia um rebuliço, era só gente correndo para lhe dar um abraço. Tinha um sorriso que não deixava ninguém borocoxô, nem moça, nem menino, nem sinhô. Seguia toda vida com seu amigo que era rei, indo rumo ao império no além, "lá era lindo, lá era o lugar mais lindo", repetiam animados! Lugar perfeito para puros sangues, mesclados, ariscos ou avoados. Ouviram boato de que era só seguir o som que passeava com as folhas no céu verde azulado. Em todo lugar que ele parava, ganhava outro pedaço: Colorido, redondo ou quadrado. Ele já parecia até uma colcha daquelas bonitas, de retalho. E quando chovia ou o se o sol luzia, eles cavalgavam cantando o refrão de uma antiga canção (que não rimava, mas acalantava o coração): “Tudo bem, até pode ser que os dragões sejam moinhos de vento... Muito prazer, ao seu dispor, se for por amor às causas perdidas. Por amor às causas perdidas!”.

Texto meu. Ilustração: Jenny Kostecki.