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quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Início do fim - PARTE II

Ísis chegou em casa fadigada, com um cansaço no peito e um olhar de saudade não se sabe do quê. Realmente, ela não entendia como era possível tanta falsidade, desamor e interesses e flagelos e desigualdades.
(Lembrou-se de quando criança, cheia de esperança, acreditara nos amigos, nas histórias em quadrinho e nos seus pais, tanto para sentir-se bem, quanto por não saber nada).
Mas hoje o sentimento de inadequação, que há tempos não acendia, voltou com toda a força, de forma que ela não conseguiu manter-se em pé e caiu de joelhos ao chão, não podendo controlar a si mesma. Algo ali dentro não estava certo, algo que ela não sabia o nome, um sofrimento sem forma e ao mesmo tempo palpável, um incrível espaço cheio de vazio. "Estranho como num dia tudo parece bem e no outro a verdade reaparece", pensou.
Ísis fez de tudo para esconder, fingir não ver... Ligou o rádio e a tv, abriu a geladeira... Mas aquilo persistiu...
O sem nome, mas com poder, trouxe junto com as suas tralhas a melancolia e num momento de desespero, ela chorou por doze minutos, um choro doído, de bebê desmamado...
E essa foi a única forma de fazer passar a tristeza e voltar a sentir a falsa sensação de bem-estar.

Por Scheyla Horst.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Ao poeta

Vinícius de Moraes:
..."E é então que esqueço de tudo e vou olhar nos olhos de minha bem-amada como se nunca a tivesse visto antes. É ela, Deus do céu, é ela! Como a encontrei, não sei. Como chegou até aqui, não vi. Mas é ela, eu sei que é ela porque há um rastro de luz quando ela passa; e quando ela me abre os braços eu me crucifico neles banhado em lágrimas de ternura; e sei que mataria friamente quem quer que lhe causasse dano; e gostaria que morrêssemos juntos e fôssemos enterrados de mãos dadas, e nossos olhos indecomponíveis ficassem para sempre abertos mirando muito além das estrelas."