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quinta-feira, 28 de abril de 2011

Trabalho

Em certos dias, Jorge não aguenta e chora até cansar a dor. Não derrama lágrimas somente pelas tristezas cotidianas, mas também pela cidade que não mais lhe abraça e, ao contrário: lhe mostra os dentes. Entre outras saudades, sente falta da imperceptível liberdade que tinha quando passeava e podia entrar na lojinha que bem entendesse. Ele perdeu uma das pernas sendo trabalhador, enquanto manuseava essas máquinas de deixar a cidade maior. Hoje, no Dia Internacional das Vítimas de Acidentes de Trabalho e de Doenças Profissionais, vale a lembrança.


segunda-feira, 18 de abril de 2011

Maria Ninguém

Então o amor deve mesmo ser o sentimento que transforma a outra pessoa na edição exclusiva. Repleta de singularidades. Entre tantas por aí, nas calçadas, séculos e filas, é somente aquela a dona dos trejeitos mais interessantes, até mesmo quando irritam. Tudo depende do jeito de olhar. Durante o casamento coletivo que uniu 220 casais em Guarapuava há alguns dias, deu para perceber que essa ideia possui respaldo e adeptos. Nem um dos dezenas de casais se importou em compartilhar o momento com várias pessoas desconhecidas. "Para mim, só estamos ele e eu aqui", explicou uma noiva de 55 anos, contente da sorte de ter vencido a catarata simbólica que embaça a visão e não deixa muitos verem como têm histórias extraordinárias. E deve ser por isso que João Gilberto cantava os versos de Carlos Lyra: "pode ser que haja uma melhor, pode ser. Pode ser que haja uma pior, muito bem. Mas igual à Maria que eu tenho, no mundo inteirinho igualzinha não tem. Maria Ninguém, é Maria e é Maria meu bem".