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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

L...

Ela mora com muitas crianças, num lugar onde existem cerejeiras e um pé de nectarina. Corre com os braços abertos por entre o jardim, e quando se volta, põe um sorriso tão mágico no rosto que faz qualquer um entender o valor dessas coisas simples. E quem sabe no que ela pensa durante as tardes em que fica por horas olhando para o laguinho, ou quando as luzes se apagam e dizem que é a hora dela dormir? Talvez seu nome seja Luíza, ou Lígia de Tom Jobim, com seus "olhos castanhos que metem mais medo que um dia de sol".
Sei que um dia ela me abraçou, como se eu fosse a esperança para alguma coisa. E eu me despedi. "Adeus, Luana!".

Foto minha.
Esta foto não é pública. Todos os direitos reservados.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Do alto da laje

Do alto da laje ela sondava os seres passantes que vinham e íam com pressa e sem rumo. Imaginava o que cada um trazia ou levava nas suas sacolas, nas suas caixas, nos seus interiores. Sorria de canto ao imaginar coisas engraçadas. Costurava histórias, mesclando os personagens que estavam transitando na mesma avenida. A mulher morena e cheinha podia se encontrar com o senhor que andava com as mãos cruzadas para trás, talvez eles ficassem rubros no primeiro momento, e depois, quem sabe... Ela costumava criar para os outros, e no fundo sabia que partes dela não eram ela. Estranho, pois não compreendia. Sentia um desassossego que vinha e passava, existia mas não se alojava. Como se quisesse lhe contar algo... e não pudesse. Sentia tudo do alto da laje, numa tarde de verão, enquanto observava pessoas e pássaros.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

e vejam... passaram-se 50 anos

Acho que as comemorações de Bodas de Ouro são as minhas festas prediletas. Deve ser porque elas vão na contramão do sistema, e sinto nelas algo que tende a se tornar cada vez mais raro. Há algo de resistência... aos anos, aos ventos de mudanças. Ver aqueles olhinhos brilhando e as mãos tremendo ao refazer "os votos", como se o tempo tivesse regressado meio século, é belo.
Geralmente são poucos os convidados para as Bodas que também estiveram presentes no casamento, pois muitos já partiram. Mas os que permanecem devem trazer à memória lembranças de outros ares... e, como em 1959, os senhores tiram o chapéu em respeito aos noivos.


Foto minha.
18/01/2009 - Turvo-PR.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

inacabado

Abriu um dos olhos, com pesar e certa angústia. Sondou onde estava, e já não recordava qual dia da semana acabava de nascer. Se era dia útil, feriado, fim-de-semana. "Deve ser dia de trabalho, pois o despertador...". Estava desnorteado. Por uns dois ou três minutos ele não conseguiu lembrar de muita coisa, apenas de que precisava fazer xixi. Se encolheu em baixo do edredom azul celeste, cobrindo-se até a cabeça. Talvez assim ninguém o encontrasse. Seria bom. Réstias do Sol passavam pelas falhas da persiana, e em pouco tempo tudo estava realmente quente e abafado. Sentiu vontade de gritar. Mas na verdade precisava fechar os olhos e se concentrar o máximo que tivesse capacidade. Quem sabe dessa maneira retornasse ao sonho interrompido. Sim! Não poderia ficar sem saber o desfecho, logo neste dia, que estava dando certo. Ouvira na televisão especialistas falando que é possível voltar e terminar o sonho. Tentou utilizar a tática. E deu certo. O sonho continuou, perfeito, e era possível notar um sorriso de canto no seu rosto. Novamente o despertador quebrou o sono. Ele se assustou, sentou na cama. Estava atrasado, mais uma vez. Correu, escovou os dentes, molhou os cabelos, pegou as chaves. Quando deu por si, sentiu que estava esquecendo de alguma coisa, só não sabia o quê. "Não deve ser nada", pensou.
Pois ele não lembrava mais com o que sonhara, se é que sonhou um dia.