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quarta-feira, 31 de outubro de 2007

o Profeta Urbano

Gentileza gera gentileza.
Gentileza só amor constrói.










José Datrino (1917-1996).

Último dia de outubro de 2007

Nunca mais estarei no mês de outubro do ano de dois mil e sete.

Intrigante.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Bons dias em 1997

Eu não queria me despedir. Foram poucos dias na infância comum da minha vida.
Uma semana, ou duas, durante as férias de dezembro, mas que ficaram aqui, entre os melhores momentos.
Ela chegou de longe, numa tarde de verão, com um sotaque estranho e um tipo de graça que eu jamais vira. Fez-me perceber que sorrir era bom, e que a amizade não tem barreiras. A Cris do Pará dividiu e me mostrou mais.
Você vem? “Vô não menina”, ela sabia que seria um tempo breve. E intenso.
Depois da partida trocamos cartas durante anos, até o tempo trazer aflições e afazeres que antes não tínhamos. Ela não tinha e-mail, e as cartas voltaram depois do inverno de 2005...
Hoje nem sei se lembro, mas não esqueço. Estranho pensar que ela mora no outro lado do Brasil, mas está tão perto.
Eu queria mais um dia daquela época, para andar de bicicleta na esquina e fazer sorvete com detergente, para oferecer aos meninos.

Para entender que não é preciso tanto para ser feliz.

Pouco mais que um instante

"Cansados do dia, felizes em não discordar, tão dispostos a não ver defeitos.
Riam-se de tudo, com o coração bom e humano.
As crianças cresciam admiravelmente em torno deles.
E como a uma borboleta, Ana prendeu o instante entre os dedos antes que ele nunca mais fosse seu".

Clarice Lispector - "Amor".
Foto de Vincent Teulière.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Epifania


Ele estranhou a primeira sensação,
como se agora tudo ficasse nítido.
"Claro, como não pensei nisso antes".
Entendeu tão perfeitamente que até sentiu medo.
Medo e alegria, uma alegria quase fria.
A cena dos filhos e do pato mostrou o que há tempos
estava ali, esperando por descrobrir-se, enfim.

Apenas um instante,
pequeno, mas amplo.
Que fez com que tudo, até hoje, fizesse um sentido.

Texto Scheyla Horst, Charge Laerte.

Basicamente

Ter status é:
Comprar algo que você não precisa,
com um dinheiro que você não tem,
para mostrar a alguém que você não gosta,
aquilo que você não é.

E tenho dito.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Novela



"E na hora que a tv brasileira,
distrai (destrói) todo o povo com a
sua novela..."

Texto de Seu Jorge, Charge de Arionauro - A vida como ela "é"

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

O Decreto


"Fica decretado que todo homem deve confiar no homem,
assim como um menino crê em outro menino".
Thiago de Melo - O Estatuto do Homem

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

A menina invisível

Numa cidade tão agitada como essa, poucas pessoas percebem a sua presença. Ela tem um nome, uma história, alguns sonhos. Mas quem se importa? Ali no meio da multidão ela é apenas mais uma que deixou cedo as bonecas para ajudar a aumentar a renda familiar. Uma menina latino-americana, filha de comerciantes da Cidade de Leste, que acorda cedo, dorme tarde e neste meio tempo vende meias, perfumes, alimentos, enfim, o que der. Parece que naquele clima abafado, ela já se acostumou a não sentir...
Apenas um vazio imenso, profundo, agudo, como se o vazio fosse ela.
Parada no meio da rua, ela vê milhares de pessoas passarem ao seu redor: Brasileiros, argentinos, chineses, europeus... Eles falam outras línguas, mas são iguais num quesito: a indiferença. Todos têm pressa para comprar e para ir embora. E quando nessa correria alguém lhe dá atenção, ela sorri com os olhos e fica alegre por ter conseguido algumas moedas. O fato é que esta menina representa milhares de outras crianças que, assim como ela, não estudarão, nem irão ao parque no fim-de-semana... Ao contrário: Terão a sua infância arrancada de seus braços.
Mas, infelizmente, há coisas que ninguém comenta e há pessoas que ninguém enxerga.
Texto Scheyla Horst em visita à Cidade de Leste - Paraguai.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Se eu pudesse...


"É ruim acordar de madrugada e vender balas no trem.
Se eu pudesse eu tocava em meu destino.
Hoje eu seria alguém.
Seria um intelectual.
Mas como não tive a chance de estudar num colégio legal,
muitos me chamam de pivete, mas poucos me deram apoio moral.
Se eu pudesse eu nao seria um problema social..."

Problema Social - Seu Jorge