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terça-feira, 30 de setembro de 2008

"fuck beauty contests"

Brasileiras participam do Miss Mundo Infantil
Segundo a notícia dessa terça-feira, duas candidatas vão representar o país no tal concurso, que será realizado em breve na Turquia. As meninas têm 9 e 12 anos. Na competição, elas vão desfilar com trajes típicos, de gala e “vestidas de boneca”. Uma adaptação do Miss “Adulto”, substituindo o “traje de banho” por uma aparição mais adequada à idade das participantes. Dizem que o regulamento do evento proíbe que as meninas usem salto alto e maquiagem (olha só... eles devem ter alguma preocupação com a sensualidade precoce... são organizadores muitooo conscientes).
A mim foi impossível ler essa notícia sem lembrar do filme Pequena Miss Sunshine (2006), dirigido por Jonathan Dayton e Valerie Faris. Entre as várias cenas inesquecíveis do longa, a de Olive e sua dança inesperada, que constrange aos pais e mães que assistiam ao concurso, merece lembrança, pois ao fundo, revela as contradições do mundo do “parecer”. Uma crítica fundamentada numa família desajustada, que encontra num desses concursos de “homenagem à embalagem”, a oportunidade de reencontro.
Aí pensei... seria bom se uma dessas meninas que vão representar o Brasil no concurso tivessem um “avô-produtor” como o de Olive...

Foto: Divulgação

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

fumaceira

Cena do sábado...
Ela estava ali há algumas horas, no banquinho feito de um toco de árvore, com seus olhos altivos e esbranquecidos pelas cataratas, sua pele cansada de outros tantos dias que se dera a acordar. Suas ervas companheiras, sempre a curando da cegueira de não sentir. Observava de pernas cruzadas as crianças todas parecidas, com suas brincadeiras de empurrar... quantos dos seus ali, sua descendência se vendendo às músicas remixadas de cd's falsificados. Há alguns tempos decidiu não mais falar. Calou-se de uma maneira intocável, dispensou todos os sorrisos de ocasião, e não aceitou uma casa igual a todas as outras. A sua era singela, quase caída, mas guardava segredos e um orgulho de não se render.


na reserva indígena Marreca dos Índios, no sábado (27).

domingo, 14 de setembro de 2008

gostinho dos 12 anos.

Fazia mais ou menos uns 3 anos que eu não revirava aquela gaveta. De repente, o encontro. Todas as fitas estavam nas suas respectivas "caixinhas", com o nome do "que tinha dentro" escrito em adesivos desgastados, com canetinhas coloridas, numa letra de mão ainda insegura. A maioria recebeu títulos genéricos, como: Mistureba, Diversas, Monte de coisa... Enfim, não lembro qual tática eu usava para encontrar a música predileta, acho que gravava em todas as fitas, para poupar esforços maiores.
Meus olhos se encheram de brilho e não consegui conter um sorriso, pois a minha memória foi até aqueles dias em que eu ficava ansiosa ouvindo a rádio, esperando a tal música começar para apertar PLAY+REC... Lembro que a estação FM98,7 era a minha preferida e recordei do jingle... "A sua rádio é a 98, 98 e você!". (Até porque eles inserem isso no meio da introdução das canções...)
Coloquei-as no único som da casa que ainda "roda fita", algumas estavam estragadas, as vozes lentas e grossas não me permitiram reconhecer as músicas. Mas outras ainda estão perfeitas! Aí foi que eu pude lembrar: aos doze anos eu tinha o gosto musical, realmente, eclético, haha. Ah, fiz vários pout-porris sem intenção, gravava uma em cima da outra, com cortes que até pareciam planejados.
E agora eu quero saber... Quem aí nunca correu da cozinha para o quarto quando ouviu aquela música supimpa começar a tocar, na expectativa de conseguir apertar a combinação de botões a tempo, e ainda torcendo para que a fita estivesse no ponto certo?

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

balão


Coisa minha. Durante a aula...

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

requentando

O relógio em cima da geladeira vermelha que foi moda a algumas décadas. Tic, tic, tôoc.
Barulho irritante, qualquer um diria, mas não neste dia sem horas, repleto de orações.
"Será frio, será ausência?", pensa, calçando as chinelas de inverno e com a manta de xadrez colorido jogada nas costas, enquanto lê o jornal. TRE, PF, TCU, siglas e cifras na primeira página, e lá fora as nuvens se mostrando como jóias na vitrine, "mas não, ninguém repara nesse dom gratuito, como quisera Quintana um dia", lamenta. Nisso, toma na marra o café requentado, que lhe será o alimento até a metade do dia, ao fim do último gole morde os lábios e fecha os olhos, querendo saber por onde andariam os pensamentos daquela outra pessoa, a uma hora dessas. Tic, tic, tôoc. Aproveitando a carona com esse pensamento, suas idéias se vão no mar que é ser só.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

momenternidade

Ela parou em frente ao gigante, com certa resignação, um respeito palpável. Esperou ansiosa a onda chegar aos seus pés descalços e cansados, com o coração aos pulos. Era a primeira vez que vira o mar, em todos esses anos, meses, dias, horas... Respirou com ainda mais fé, pela beleza sem tamanho daquela criação. No entanto, puniu-se em pensamento, por sentir o inquietável desejo de arrancar suas vestes, soltar o cabelo e se entregar ao momento, quis correr de alegria, gritar de desespero, chorar de aflição. Mas permaneceu estagnada naqueles intermináveis segundos, enquanto a sua mente voava longe e o seu corpo afundava na areia. Foi então que a água gelada bateu em suas pernas, com força voraz, e a despertou do momento eterno.


Praia de Leste - PR.
Foto minha.
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