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quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

O espetáculo do tédio

Tantos livros na estante,
o jornal de hoje ainda por ser lido,
e eu aqui, inquieta e distante, como um domingo nublado.
Não me concentro há dias, tudo tem cara de tédio,
e não sei se vou melhorar, não dessa vez, não depois de tudo.
Não sei. Sempre estamos tentando aplicar nos outros as nossas teorias, mas eu não sei mesmo. Esse tom de cinza nas coisas que me rodeiam ainda vai me enlouquecer.
E eu quero deixar aqui entre parênteses algumas palavras que me incomodam, quando combinadas.
(EU NÃO SEI MESMO).

E para terminar, nada melhor que algo dito por Clarice, "não há dúvida: pensar me irrita, pois antes de começar a tentar pensar eu sabia muito bem o que eu sabia".

Texto meu.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Sinistro

Intrigante, eu diria.

Foto minha, de mim mesma.

Sobre os dias de hoje, ou não.

Vazio, agudo.
Ando meio
cheio de tudo”.
Paulo
Leminski

CON
SUMINDO

Tudo o que sólido desmancha no ar. Tudo o que é novo envelhece antes de se desenvolver... A cada dia surge uma novidade. As atitudes são tomadas com paixão, mas a compaixão não mais existe. Este é o clima da pós-modernidade: uma busca incessante por achar-se finalmente, um esvaziamento de sentido e sentimentos. Ao mesmo tempo em que todos têm acesso à informação, o real conhecimento se perde, evapora. O não-aprofundamento dos assuntos gera a superficialidade nos discursos.
Estar na pós-modernidade é uma experiência dicotômica, regada a altos e baixos. O indivíduo tem experiências únicas, fantásticas, tecnológicas. Mas também vê os seus valores – se é que os têm – perdendo a validade, mudando junto com as últimas tendências da moda. Assim sendo, nada sacia o desejo ofegante de querer mais e mais, não importa o quanto isto doa. Aos poucos se constata que não só as roupas e acessórios são comercializados, mas também as idéias e corações.
Neste turbilhão de emoções, os meios de comunicação produzem notícias enlatadas, feitas da mesma forma para todos. A "massa" é tratada como um mero objeto. As diferenças de cultura, idade, sexo e bagagem cultural/intelectual são desprezadas. O que importa é seduzir, animar, prender a atenção. Temas importantes são trocados por entretenimento. Debates pertinentes acabam escondidos, colocados em horários inadequados, substituídos por novelas ou reality shows nada reais. Segundo Marshal Berman, no livro Tudo o que é sólido desmancha no ar, os sistemas de comunicação de massa são dinâmicos em seu desenvolvimento e embrulham, no mesmo pacote, os mais variados indivíduos da sociedade, e estes estão à beira de um abismo: tudo é absurdo, mas nada é chocante, porque todos se acostumam a tudo. De tanto ver as mortes por bala perdida na televisão, a população já considera que a vida nas grandes cidades é assim mesmo...Não há o que se fazer.

Vazio intenso, imenso
Enquanto vivem diariamente de forma igual, os homens e mulheres pós-modernos já nem sentem. Eles buscam em diversos lugares algo que preencha um vazio e se frustram ao perceber que certas necessidades não são sanadas pelos produtos vendidos nos shoppings ou na TV.
Para ilustrar esta realidade, imagine uma mulher vendo a propaganda de um “AB Shaper” qualquer, que promete torna-la aquilo que ela sempre quis em 15 minutos diários. Depois de adquirir o produto, a moça segue as instruções, mas logo se cansa (talvez 15 minutos seja muito tempo). Na outra semana já existe um lançamento melhor. Novamente ela se engana. Depois de muitas investidas, esta mulher descobre que há certas carências que um simples aparelho não consegue melhorar... Mas milhares de pessoas não têm esta percepção e gastam a vida nesta busca por algo a mais. Procuram um recheio para os seus interiores.

Enfim, o fim
Como se livrar das grades desta prisão na qual estão todos? Há uma luz no fim deste túnel? Para que lugar caminha a humanidade? As respostas para estas perguntas são difíceis – não de serem proferidas, mas efetivadas. Num mundo onde todos estão reificados, admitir erros e voltar atrás é raro. Mais fácil é continuar assistindo de camarote o desastre da vida alheia, sem participações especiais... Belo será o dia em que cada homem perceber que o que se faz fala muito mais do que só falar.

Scheyla Horst, em 23/04/2007.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Gente que nunca morreu está morrendo...

O título parece uma piadinha, não? E é.
Mas vai dizer que não tem sentido?
"Morte, misteriosa mariposa", já dizia o poeta Vinícius. O fato é que ninguém sabe como agir sobre o assunto, aquilo que não entendemos nos amedronta. Dia desses encontrei no orkut o perfil de uma garota que faleceu em agosto passado; e todos os seus amigos continuavam mandando recados, contando assuntos pessoais, perguntando sobre como é lá onde ela está, mandando beijos e abraços. Não é fácil aceitar que ninguém vai responder. E aí está o mais intrigante: quando a pessoa que se vai é jovem, a dor parece ser mais aguda. Pensa-se em quantas coisas ainda poderiam ser vividas, sentidas, aprendidas... Como aquele ator bonitinho que morreu no começo da semana. Vinte e oito anos, uma filha, muitos filmes, um apartamento, dinheiro no banco; foi isso o que ele deixou.
Com essa moda de carpe diem, as pessoas injetam na veia (além de veneno) a falsa ilusão de que o que importa é curtir a curta vida. Com raízes no romantismo, essa idéia é a favor de fazer o que der em um mínimo tempo (você prefere viver 10 anos a 1000 ou 1000 a 10?). E assim eles vão morrendo, super irados, ligadões. Quem sofre é quem fica.
E se esse fosse o seu último dia você consegueria dizer que valeu a pena?

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

É uma farsa.

Eu não acredito em shampoo para cabelos mistos.
Diz ae, como é que ele consegue tirar a oleosidade do "couro" e hidratar as pontas?
Poxa, que competência.

sábado, 19 de janeiro de 2008

Tentativa mal-sucedida - Parte I

respiro, paro, penso: piro
para respirar, paro
(penso pirar quando respiro)
sem fôlego

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Fingi na hora de rir

"Assusta que tanta gente minta,
desesperadamente, a mesma mentira"
.
Desde a infância aprendemos que fingir deixa tudo mais fácil. Se a gente finge ser um power ranger, a tarde passa mais rápido; se finge ser o Popeye, é mais fácil comer espinafre. E o tempo passa, então você começa a pensar que está na hora de viver a 'realidade', mas quando cresce, vê que todo mundo continua fingindo. Uns fingem ter um casamento feliz, outros fingem que tudo vai ficar bem. Você finge que é diferente, e, nossa, as máscaras parecem tão reais... Tantas pessoas se enganam sendo falsificações delas mesmas. Fingem que sentem pena, fingem que querem o bem dos outros, fingem que gostam de salada.
.
"Quando quis tirar a máscara
estava pegada à cara
quando a tirei e me vi no espelho
já tinha envelhecido"
Álvaro de Campos

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

intrigante

Nunca gostei de andar sozinha. Mas, ah, o que é que eu sei?

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

sábado, 12 de janeiro de 2008

Manutenção da intolerância

Crianças palestinas queimam bandeira estadunidense


Fazia um tempo que eu não me chocava com alguma notícia. Durante esses dias tudo é tão comum que eu chego a ficar com medo de um dia não sentir mais nada, parece que nasce em volta do meu coração uma cápsula protetora. Quando abro o jornal lá estão, se ligo a tv também, e nas páginas da internet então, nem se fala... Imagens do fim, histórias macabras, personagens reais parecidos com ficção. E na manhã do dia 11, vi uma cena que diz mais do que mostra. A foto prevê o futuro, traça uma sina. As crianças não são mais inocentes, perderam o seu brilho e desde muito cedo aprendem a quem devem odiar. E assim as guerras continuarão e a cada manhã a semente da desigualdade será semeada. E você pode pensar: "Mas elas estão certas"... Melhor seria falar sobre esperança em dias mais suaves e claros, talvez em outra oportunidade eu me detenha a esse assunto tão démodé.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Amor maior do mundo

Mãe não entende, só mãe entende. Mãe dança de um jeito esquisito. Mãe não aceita restos no prato, e nem desculpas do tipo: “Mas os outros não comeram tudo”, e responde: “Mas os outros não são meus filhos”. Mãe quer que a gente tenha uma vida melhor que a dela. Mãe adora ouvir o barulho da fechadura quando filho chega, mãe tem cheiro de bolo, mãe tem cheiro de limpo. Mãe não cansa nunca. Mãe não quer que a gente cresça. Mãe fica assustada quando vê notícia de acidente, mãe fica assustada quando vê que alguém morreu de anorexia, mãe fica assustada quando vê notícia de assalto, mãe fica assustada quando vê notícia de briga, mãe fica assustada. Mãe sabe como tirar as manchas. Mãe não se importa com o que os outros pensam dos seus filhos, mãe sempre vê as qualidades. Mãe foge com o filho para o deserto. Mãe tem sensações, sonhos e pressentimentos. Mãe tem sexto (sétimo, oitavo e nono) sentido. Mãe não faz sentido. Mãe chora de raiva, de alegria e de saudade. Mãe diz que tudo vai ficar bem. Mãe sempre quer que a gente leve uma blusa. Mãe avisa. Mãe só tem uma, mãe é tudo igual. Mãe xinga, depois se desculpa. Mãe não gosta de palavrões. Mãe espera o resultado do vestibular e se não der certo, ela diz que foi porque o filho estava nervoso. Mãe é estressada. Mãe perdoa, de novo e mais uma vez. Mãe acredita. Mãe espera, o quanto for necessário. Mãe defende. Mãe faz as vontades. Mãe diz que cansou. Mãe erra, mas acerta mais. Mãe diz que o filho dirige bem. Mãe ora para que o filho não se machuque. Mãe pergunta: “por que não come salada?”.

E o mais estranho é que mãe não se explica. Mãe é mãe. E pronto.

Na foto, minha mãe e meu irmão primogênito, numa das tardes da primavera de 1978.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

ano novo, denovo.

Tá, eu sei que é tudo inventado.
Ah, mas deixa eu fingir que é um recomeço e que daqui para frente, enfim, tudo será diferente...

(Scheyla, numa crise de começo de ano, logo passa).