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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Ela possui a estranha mania de ter fé na vida

Retrospectiva 2011

Eunice Terezinha Pires, 46 anos, agente comunitária de saúde.

É interessante refletir sobre o que sobra depois de invadir a vida de alguém em busca de alimento para uma reportagem. Quase sempre, fica pouco: só o telefone na planilha do excel. Em outras situações, no entanto, acabo cativando o outro e me torno responsável pela afeição. No começo do ano, conheci a Eunice, uma mulher de simpatia larga e abraço sincero. Nossa ligação foi imediata e ela confiou a mim um pedaço da sua história, sem medo, sem frescura. A mulher telefonou logo depois da publicação da matéria que falava dela e me disse coisas bonitas. Aí eu deixei de ser repórter e ela deixou de ser personagem. Não demorou para a agente de saúde se tornar assinante do jornal. "Todo dia pego a edição e procuro uma foto sua para mostrar para a minha filha, mas nunca encontro. Não tem jeito mesmo, né? Você só fica atrás das câmeras", reclamou, na semana passada.


quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Pedrão, a ximbica e o tal do YouTube

Retrospectiva 2011


Pedro Bonavigo, 66 anos, agricultor e músico. 


“Pegue a toalha e o sabão, embarque na ximbica e vamo embora pro Jordão”. Com o xote contagiante aliado ao videoclipe inusitado, Pedrão Gaiteiro, de fato, “arrumou um jeito para sua diversão”. A ideia de produzir o clipe partiu de familiares. Depois de ponderar um pouco sobre a proposta, ele topou. Por consequência, a esposa Vitória aderiu ao projeto. “Eu perguntei se ela queria que eu arrumasse um 'avião' de biquíni para aparecer na filmagem, aí ela topou na hora”, brinca. O casal seguiu o script a risca e se saiu bem no momento de interpretar os versos. Foi sucesso. E ainda é. Até ontem, o vídeo tinha sido exibido 31.865 vezes no YouTube. “Eu nem sei mexer nesse ‘troço’”, confessa.


Publicado na íntegra no Diário de Guarapuava, em maio.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Alemão Bock e o comércio da sorte

De todas as atividades que já desenvolveu ao longo dos seus 56 anos, Alberto Ricardo se encontrou na ocupação de cambista lotérico. Fazendo isso, ele anda por aí, interage com pessoas e os dias passam sem dor. Bom humor é algo que lhe apetece.
Conhecido como Alemão Bock – em referência à cerveja preta de origem europeia – se sente bem quando as pessoas são simpáticas com ele nas ruas. Se alguém lhe injuria, logo se abate, mas procura espairecer e não jogar em cima de outra pessoa o rancor.
Alberto vende jogos da mega e da quina, mas na vida já trabalhou como jardineiro, vendedor de picolé, engraxate, guarda de presídio, peão em fazenda e como catador de recicláveis – hoje ainda coleta algumas latinhas para colaborar com a renda familiar.
“O que eu gosto mesmo é de ser cambista lotérico. Eu levo comigo a amizade, a confiança do pessoal, a credibilidade e as piadas. Inclusive, ninguém me deixa em paz nessa parte. Às vezes eu estou trabalhando e me fazem parar para contar uma piada”.
A relação com a atual companheira já dura “uns 15 anos” – Alberto não é muito bom com datas. Com ela a vida é boa, embora enfrentem contratempos. Por mais difíceis que as coisas estejam, ele tenta ser uma companhia fiel em lembrança a épocas passadas, numa troca de gentilezas.
“Essa mulher me ajudou bastante quando eu bebia. Ela percebia que eu não podia sair sozinho, pois perdia as coisas. Então, se eu viesse para o lado esquerdo, ela me puxava para o direito. Se eu cambaleava para o direito, ela me empurrava para o esquerdo. Assim eu não caía”, disse, usando de uma comparação até poética, mesmo sem se dar conta.
Alemão afirma que deixou a vida de embriaguez há uma década. Desde então se apegou mais ao transcendental, e costuma ouvir com atenção as orações dos padres nas rádios. Fora trabalhar, ele não sabe muito bem o que gosta de fazer. “Quando é domingo, prefiro ficar em casa. Só saio para ir à panificadora quando tenho dinheiro para comprar uma carne assada. Se dá uma soneirinha à tarde, eu viajo para Roncador, que é a minha cama [risos]”.
Quando o assunto é a sua história, Alberto fala como quem tenta costurar retalhos desconexos. De muitas coisas ele não tem certeza. Sabe que nasceu em São Paulo, no município de Lavínia, mas desconhece como chegou a Guarapuava, quando foi adotado por uma família local. “Tem duas ou três histórias que eu já ouvi e não sei qual é a verdadeira”.
Ele tem algumas filhas espalhadas pelo mundo, as quais não vê há bastante tempo. Chega a dizer que seu principal sonho é conhecer uma delas, sobre quem tem poucas informações. “Eu queria ir a um programa como a Porta da Esperança do Silvio Santos [que deixou de ser apresentado na década de 90] e encontrá-la”.
O pai que criou Alemão faleceu. Uma irmã também adotiva mora com a mãe em Curitiba. De acordo com ele, a família paga o aluguel da sua casa. “Nós nos damos bem, mas não estamos conversando muito ultimamente”.

E assim vive o Alemão Bock, que não é muito de ganhar, mas que tenta fazer o melhor que é capaz só para viver em paz.


Você utiliza uma tática de venda?
Acho que não, mas uso frases, como “comprar de preto na sexta-feira é bom para tirar o azar”. Algumas pessoas nem jogam na loteria, mas compram o bilhete por causa das minhas piadas. Às vezes dizem: “Negão, pega esse um real para a pinga”. Eu respondo: “para a pinga não. É para o café”.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O melhor presente é estar presente

Esta semana, a família virou a dor pelo avesso e o dia do reencontro chegou, sem aviso.
“Parece que a viagem de Rondônia a Guarapuava foi eterna. Depois de passar por Cascavel, pensávamos que estávamos chegando em todas as luzes que víamos pela janela! Mas não era. Aquelas horas dentro do ônibus foram mais longas do que todos os anos de distância [mais exatamente 29 anos]”, conta Altair.
“Quando ele ligou dizendo que estava na rodoviária, saímos correndo. Eu acabei perdendo os chinelos, a mãe foi bem descabelada. Meu carro não funcionou, peguei as chaves do meu irmão e nem avisei. Foi uma emoção enorme”, lembra Alaor.
E eu, que nada tinha a ver com tudo isso, acabei recebendo de presente a possibilidade de contar a história. Leia neste fim de semana, no Diário de Guarapuava. E Feliz Natal!


segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Cores escondidas

Novamente digo que a beleza não é luxo, mas uma necessidade de todos os seres humanos. Veja o exemplo de Dona Tereza e Seu Eduardo: eles são pessoas do tipo mais humilde que se pode encontrar nas ruas da cidade. Tiram o sustento dos descartes alheios, coletando materiais recicláveis para vender ou reaproveitar. Vários objetos são incorporados pela família e passam a ser parte da paisagem do pequeno barraco de dois cômodos onde o casal mora. Quem olha sem atenção para a casa, pode ver apenas sujeira e miséria. No entanto, ao observar a estante, perceberá embalagens de xampus Seda que esparramam cor no ambiente. Será que são só plásticos vazios? Ou são poesias que acalentam olhos cansados no fim do dia?


sábado, 10 de dezembro de 2011

I'm here

Ainda na onda das dicas meio "ultrapassadas", segue um breve filme sobre o amor. Lindo.


Inspirador

Ok, estou sendo retardatária, pois o projeto acabou em outubro. No entanto, as imagens lá disponíveis são inspiradoras e valem o registro. A ideia do fotógrafo canadense Julian Bialowas foi postar uma foto com uma frase por dia. Simples assim. Confira o 365q.


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Por que uma menina de 13 anos não deve namorar?

Eu não gosto de generalizar. Devem existir meninas (e meninos) de 13 anos que sejam maduros (embora eu nunca tenha conhecido algum). Dia desses, estava andando tranquilamente quando uma garota me interrompeu desesperada...