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segunda-feira, 31 de março de 2008

Título algum

,sonhava. E sabia que isto lhe custaria algo, não era possível querer sonhar sem pagar por isso. Eles sempre falavam que tudo, tudo, tudo tinha um preço - em certos momentos era alto demais. Mas mesmo assim, sonhava. No fundo queria provar que era possível, era, era... seria. Por um dia, ou dois - quem sabe uma semana - esperava não saber sobre o que a lei previa, sobre o que a TV dizia, sobre o que os outros já tentaram sem obter êxito. Simplesmente precisava de uma nova chance, chance de não entender e mesmo assim transcender. Chance, oportunidade, expectativa, esperança, e mais;

Olhando pela janela, todos pareceram como uma colcha de retalhos, de uma só cor. Nada destoava, nem o fio utilizado na costura. Seria angústia aquele aperto perto da garganta?
Tomou ar.
Sentiu. Mais uma vez e sempre. Insistiu.
Por quê?

Boa pergunta.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Quero saber bem mais que os meus vinte e poucos anos

Um texto da minha pequena-grande amiga, Fran.

"E o universo glamouroso gera também dolorosas perdas. O rosto e o corpo estampado nas passarelas, nos outdoors, nas revistas e mais revistas tem um preço além daquele representado pelas muitas notinhas verdes que se recebe após cada click.
O culto pela ausência das formas femininas. É isso o que é cobrado pelo mercado da moda. O que vai totalmente contra a natureza das curvas delineadas das mulheres daqui.
Uma dúvida: Por que não se vê por aí modelos masculinos anoréxicos ou bulêmicos?
Não, meu bem. Isso não cabe aos homens. Fomos nós as herdeiras do sofrimento.
O rapaz e a moça, altos. Ele, forte. Ela, esquelética para todo o sempre. Se preciso for que retire as flutuantes costelas, que falta farão?

Uma dieta de tomate e maçã. Não esquecer de ligar o chuveiro para vomitar. Sempre procurar uma gordurinha. Aqui estão os passos a serem seguidos e que venha a próxima da fila, por favor.
As roupas também caem bem em pessoas de massa corporal na média. É verdade!
Se for pra dar fim à vida quando se está no auge dela, que a benção de não ter esse glamour caia sobre nós, para passarmos dos 21.
Sejamos médicas, engenheiras, vendedora temporária no camelô clandestino do Bego. E que tenhamos sempre aquela barriguinha ou aquele culotezinho.

No diminutivo, convenhamos."



Francielli Campiolo, 20 anos, a menina dos olhos verdes, é acadêmica de Jornalismo e escritora amadora passando por um momento de crise.

segunda-feira, 17 de março de 2008

o Dar de Ombros

Não é raro, não, não é difícil enfrentar situações para as quais damos de ombro. Fingimos que não nos importam. Andamos com um ar superior, como donos da situação, vencedores, imunes a tudo e todos. "Eu não queria mesmo". "E você acha que eu estou preocupado?". Às vezes deixamos para segundo plano assuntos de grande importância, quando não nos importamos com o desleixo dos professores na universidade, ou dos governadores na administração pública (que agem como autoridade e não como servidores, que é o que são), ou até mesmo dos nossos familiares. Enfim, se somos indiferentes não agimos como seres independentes, mas como submissos. Adequar-se aos "isso-não-me-importa", acaba por se tornar a exaltação da ditadura. Afirmamos que além de se estar de acordo com tudo, ("isso sempre vai ser assim"), não há visibilidade de conhecer o que é autêntico. Atrás da desculpa de impossibilidade, acabamos entrando no barco daqueles que vão navegar eternamente no mar do imobilismo.

Ou não.

sexta-feira, 14 de março de 2008

nadademais

Pode ser do mar vir contra o cais, mas não, não hoje. Só por hoje ela amou mais uma vez, sentiu o ar, o céu e o som e a paz. "Viver sonhando, quem me dera".

sábado, 8 de março de 2008

Paulatinamente

Cabeças dispostas em ouvir e aceitar. Batam palmas, levantem o pé direito, sorriam para todos, com o coração puro e bom. Vocês serão os melhores. Os mais brilhantes entre tantas coisas velhas e desgastadas. Eles estão todos perdidos. Não, não vai ser fácil. Sim, é moleza. Ah, não dá nada. Isso é inaceitável. Ele olha o coração. Com essa roupa você não consegue o emprego. Isso vai te matar. Aquilo também. Você precisa se cuidar. Não faça isso. Pague no protocolo. Leve no banco. Não cumprimente desconhecidos. Não aos desconhecidos. Sem juros, sem entradas. Tudo o que você sempre quis a um palmo de distância, no entanto você não vê. Óculos para enxergar, mas não, não se vende. Vendar. Vender. Vencer. Envelhecer.
Cansei.

Ser mulher

Para sofrer, sofrer até o fim. Para se esconder, chorar, e mesmo assim, crer. Para parir. Para lavar, limpar, cozer. Para ser bonita, elegante, companheira, prendada. Para amar. Amar e esperar. Para ter um dia internacional. Para ouvir direitos. Para lutar. Para se submeter e respeitar.
Para ganhar menos. Para cansar mais. Para doer e sangrar. Para ser símbolo.
Para rebolar. Para emagrecer.
Para sofrer, sofrer até o fim.

Ou não...

Mulheres na Faixa de Gaza.

Foto: Hatem Moussa - AP.

sábado, 1 de março de 2008

Tentativa de comunicação

Segundo o esquema de comunicação enunciado por Laswell (1948), todo o processo comunicativo é permeado por algumas questões: quem, diz o que, para quem, por que meio, e com quais efeitos? Sendo que apenas se efetiva o processo comunicativo quando há o feedback, ou seja, um retorno por parte do receptor. Tão perfeita explicação, não? Pois que seja.
O fato é que há algum tempo existe alguém querendo se comunicar conosco. Mas não sei se o problema está no 'receptor não-sensível' a observar essa tentativa de contato, ou em outro fator, porque os meios são realmente notáveis. Exemplificando talvez fique mais claro: Hoje, 01 de março, em Viena, na Áustria, uma tempestade, que foi carinhosamente chamada de Emma, causou estragos no breve espaço de tempo em que esteve por lá.
Ainda querendo atenção, a carente menina foi até Weisswasser, na Alemanha. Mas todos estavam tão cheios de si, que sequer conseguiram ouvir o recado. Era necessário correr para se esconder, sem saber que não há como fugir por muito tempo.
Há tempos 'os céus choram tempestades', porém não há quem ouça os seus lamentos. Talvez seja chegada a hora de entender...


Imagem: AFP - Disponível em UOL notícias.
Texto meu.