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quinta-feira, 29 de março de 2012

Madrugada

Assim como o poeta do Pantanal, ela passou anos se procurando em lugares nenhuns, até que não se achou. Agora é cedo e a moça busca equivocadamente nos arquivos antigos do disco rígido o exato momento em que tudo desandou de vez. 
Talvez tenha faltado fermento, ou a farinha estivesse alguns meses vencida. (Nunca dá para confiar nos supermercados e às vezes não tem paciência suficiente para procurar a data de validade na embalagem). Mas talvez tenha sido apenas um erro de sistema... Ela sempre não se recorda e fica mudando de lugar atrás do que já foi deletado. Enfim, anda sonhando tão pouco que nem sente falta de pensar se alguém no bairro sentiria sua falta se ela deixasse também de abrir a janela. Acha que não nasceu para ser feliz e tem medo do que acontece se gostar. "Mesmo assim, beber um café pode ajudar. Apesar de tudo, deve brilhar o sol em algum lugar do mundo", considera, às 4h da manhã.


Um comentário:

  1. Sempre tem alguém no bairro que sente falta e tomar um café sempre ajuda mesmo. =) Lindo lindo.

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