Conhecedora das flores


Quem olha para os bordados de Lina logo pensa que não se trata de produção manual. As máquinas fazem coisas parecidas, sim. Em 1947, porém, enquanto o noivo servia o exército, ela pacienciosamente preparava o enxoval. Trabalhava na roça e levava os panos, fios e agulhas na bolsa. À noite, sob a luz de um lampião de querosene, criava flores. Nem preciso falar que não existiam sites com receitas e adquirir uma revista com dicas não era tarefa tão fácil. As cores, formas e tamanhos brotavam da sua própria imaginação. Poucos dos trabalhos daqueles dias resistiram ao persistente continuar do tempo. Alguns ela reaproveitou em outras propostas, como o belo bordado que fala em amor e foi colocado num quadro na cozinha. “Tenho vontade de ensinar o que sei, mas já não enxergo. Eu sempre brinco que minha cabeça manda, mas o corpo não quer obedecer mais”.


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