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segunda-feira, 13 de junho de 2011

Conhecedora das flores


Quem olha para os bordados de Lina logo pensa que não se trata de produção manual. As máquinas fazem coisas parecidas, sim. Em 1947, porém, enquanto o noivo servia o exército, ela pacienciosamente preparava o enxoval. Trabalhava na roça e levava os panos, fios e agulhas na bolsa. À noite, sob a luz de um lampião de querosene, criava flores. Nem preciso falar que não existiam sites com receitas e adquirir uma revista com dicas não era tarefa tão fácil. As cores, formas e tamanhos brotavam da sua própria imaginação. Poucos dos trabalhos daqueles dias resistiram ao persistente continuar do tempo. Alguns ela reaproveitou em outras propostas, como o belo bordado que fala em amor e foi colocado num quadro na cozinha. “Tenho vontade de ensinar o que sei, mas já não enxergo. Eu sempre brinco que minha cabeça manda, mas o corpo não quer obedecer mais”.


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