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sexta-feira, 3 de setembro de 2010

A figura da praça

Por mais de sete vezes pensei em conversar com o homem da praça. Sempre algo acontecia e esse pensamento saía do topo da lista das prioridades elencadas na cabeça. Quando lembrava, ele já tinha sumido. Geralmente eu cogitava deixar o papo para o outro dia, afinal, ele sempre estava lá, eu também... Sua chegada acontecia em alguns horários específicos, marcados, e logo o homem aparecia acompanhado de sua magrela-vermelha-modelo-1972. 
Chegava, fazia o reconhecimento panorâmico de campo, colocava as mãos na cintura, franzia a testa emborrachada e logo em seguida sentava num dos banquinhos cinzas de concreto. Ali continuava, mirando sem pressa, (cotovelo encostado na pequena mesa quadrangular, mão segurando o peso da cabeça, o peso de tudo) guardando com maestria um punhado dos seus segredos. Mas acabei não mais estando por lá, e, confesso, vez ou outra ainda me pego criando enigmas para a figura da praça. Talvez fora o senhor das marionetes, quem comandava todo o espetáculo vespertino de seus bonecos disciplinados para todo dia viverem assim ou de outro modo. Ou então apenas visitasse os Correios diariamente, à espera de uma correspondência que não veio.



6 comentários:

  1. Eu também já vi uma figura enigmática tal como você descreveu! Mas nunca pensei que pudesse ser um "senhor das marionetes"! Muito bom!

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  2. Quem será essa figura da praça e sua magrela-vermelha-modelo-1972?
    Muito bom, Scheyla.

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  3. É melhor voltar a frequentar a praça, mesmo que seja só pra observar.
    Lindo lindo.

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  4. A figura da praça... dormiu na praça pensando nela? Seria mais uma figura carente?

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  5. Diante do que se vê hoje, ler um percepção como essa é no mínimo animador.

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  6. nada, um belo de um espião do dia

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