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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

inacabado

Abriu um dos olhos, com pesar e certa angústia. Sondou onde estava, e já não recordava qual dia da semana acabava de nascer. Se era dia útil, feriado, fim-de-semana. "Deve ser dia de trabalho, pois o despertador...". Estava desnorteado. Por uns dois ou três minutos ele não conseguiu lembrar de muita coisa, apenas de que precisava fazer xixi. Se encolheu em baixo do edredom azul celeste, cobrindo-se até a cabeça. Talvez assim ninguém o encontrasse. Seria bom. Réstias do Sol passavam pelas falhas da persiana, e em pouco tempo tudo estava realmente quente e abafado. Sentiu vontade de gritar. Mas na verdade precisava fechar os olhos e se concentrar o máximo que tivesse capacidade. Quem sabe dessa maneira retornasse ao sonho interrompido. Sim! Não poderia ficar sem saber o desfecho, logo neste dia, que estava dando certo. Ouvira na televisão especialistas falando que é possível voltar e terminar o sonho. Tentou utilizar a tática. E deu certo. O sonho continuou, perfeito, e era possível notar um sorriso de canto no seu rosto. Novamente o despertador quebrou o sono. Ele se assustou, sentou na cama. Estava atrasado, mais uma vez. Correu, escovou os dentes, molhou os cabelos, pegou as chaves. Quando deu por si, sentiu que estava esquecendo de alguma coisa, só não sabia o quê. "Não deve ser nada", pensou.
Pois ele não lembrava mais com o que sonhara, se é que sonhou um dia.

2 comentários:

  1. "antes eu sonhava, agora já nem durmo...
    Enquanto o caos segue em frente
    Com toda a calma do mundo."

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