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quarta-feira, 10 de outubro de 2007

A menina invisível

Numa cidade tão agitada como essa, poucas pessoas percebem a sua presença. Ela tem um nome, uma história, alguns sonhos. Mas quem se importa? Ali no meio da multidão ela é apenas mais uma que deixou cedo as bonecas para ajudar a aumentar a renda familiar. Uma menina latino-americana, filha de comerciantes da Cidade de Leste, que acorda cedo, dorme tarde e neste meio tempo vende meias, perfumes, alimentos, enfim, o que der. Parece que naquele clima abafado, ela já se acostumou a não sentir...
Apenas um vazio imenso, profundo, agudo, como se o vazio fosse ela.
Parada no meio da rua, ela vê milhares de pessoas passarem ao seu redor: Brasileiros, argentinos, chineses, europeus... Eles falam outras línguas, mas são iguais num quesito: a indiferença. Todos têm pressa para comprar e para ir embora. E quando nessa correria alguém lhe dá atenção, ela sorri com os olhos e fica alegre por ter conseguido algumas moedas. O fato é que esta menina representa milhares de outras crianças que, assim como ela, não estudarão, nem irão ao parque no fim-de-semana... Ao contrário: Terão a sua infância arrancada de seus braços.
Mas, infelizmente, há coisas que ninguém comenta e há pessoas que ninguém enxerga.
Texto Scheyla Horst em visita à Cidade de Leste - Paraguai.

Um comentário:

  1. Texto massa Schey!
    Acontece isso mesmo, as pessoas se olham mas nao se enxergam.
    Hoje é tudo muito rápido, ninguém tempo pra nada, as informações chegam e vão rápidas porque outras estão na fila. Nesse mundo quase abstrato, o valor é medido pelo que se tem e não pelo que se é.
    Se fosse uma patricinha pedindo ajuda, com certeza gastaria os "valores adquiridos" numa tarde entediante e sem razão num shopping qualquer.
    Bjãooo!

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