Postagens

Dia a dia

Imagem
As imagens e o texto escrito pelo fotógrafo Antanas Sutkus para a exposição ‘Um olhar livre’, que está no Museu Oscar Niemeyer, foram uma das coisas bonitas que vi nos últimos dias. Tanto é que decidi publicar aqui alguns trechos. A mostra fica lá até o início de maio. Confira...

Vulto

Imagem
Na eterna sina de correr para o que se é, a gente segue indo para lá, sem saber ao certo onde isso fica. No caminho, aquela frase do filme vai martelando. “O rato come queijo, o gato bebe leite e eu sou palhaço”. Simples, não é? Quem dera. O bom é que o poeta garantiu que a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida. Para Mari. Foto: Divulgação.

Sobre paredes

Assumo: o tempo realmente tem passado. Percebo isso pela parede do meu quarto. Ela ‘nasceu’ cor de pêssego, aí foi pintada de verde clarinho e agora é branca, mas fica fácil constatar que existiram outras camadas não tão alvas, de anos não tão antigos. São dezenas de sinais de buracos, localizados em diversos locais onde tantas estantes estiveram. Na vida, a gente recorre várias vezes ao uso de massa acrílica, embora os consertos nos desconcertem.

Ela possui a estranha mania de ter fé na vida

Imagem
Retrospectiva 2011 Eunice Terezinha Pires, 46 anos, agente comunitária de saúde. É interessante refletir sobre o que sobra depois de invadir a vida de alguém em busca de alimento para uma reportagem. Quase sempre, fica pouco: só o telefone na planilha do excel. Em outras situações, no entanto, acabo cativando o outro e me torno responsável pela afeição. No começo do ano, conheci a Eunice, uma mulher de simpatia larga e abraço sincero. Nossa ligação foi imediata e ela confiou a mim um pedaço da sua história, sem medo, sem frescura. A mulher telefonou logo depois da publicação da matéria que falava dela e me disse coisas bonitas. Aí eu deixei de ser repórter e ela deixou de ser personagem. Não demorou para a agente de saúde se tornar assinante do jornal. "Todo dia pego a edição e procuro uma foto sua para mostrar para a minha filha, mas nunca encontro. Não tem jeito mesmo, né? Você só fica atrás das câmeras", reclamou, na semana passada.

Pedrão, a ximbica e o tal do YouTube

Imagem
Retrospectiva 2011 Pedro Bonavigo, 66 anos, agricultor e músico.  “Pegue a toalha e o sabão, embarque na ximbica e vamo embora pro Jordão”. Com o xote contagiante aliado ao videoclipe inusitado, Pedrão Gaiteiro, de fato, “arrumou um jeito para sua diversão”. A ideia de produzir o clipe partiu de familiares. Depois de ponderar um pouco sobre a proposta, ele topou. Por consequência, a esposa Vitória aderiu ao projeto. “Eu perguntei se ela queria que eu arrumasse um 'avião' de biquíni para aparecer na filmagem, aí ela topou na hora”, brinca. O casal seguiu o script a risca e se saiu bem no momento de interpretar os versos. Foi sucesso. E ainda é. Até ontem, o vídeo tinha sido exibido 31.865 vezes no YouTube. “Eu nem sei mexer nesse ‘troço’”, confessa. Publicado na íntegra no Diário de Guarapuava, em maio.

Alemão Bock e o comércio da sorte

Imagem
De todas as atividades que já desenvolveu ao longo dos seus 56 anos, Alberto Ricardo se encontrou na ocupação de cambista lotérico. Fazendo isso, ele anda por aí, interage com pessoas e os dias passam sem dor. Bom humor é algo que lhe apetece. Conhecido como Alemão Bock – em referência à cerveja preta de origem europeia – se sente bem quando as pessoas são simpáticas com ele nas ruas. Se alguém lhe injuria, logo se abate, mas procura espairecer e não jogar em cima de outra pessoa o rancor. Alberto vende jogos da mega e da quina, mas na vida já trabalhou como jardineiro, vendedor de picolé, engraxate, guarda de presídio, peão em fazenda e como catador de recicláveis – hoje ainda coleta algumas latinhas para colaborar com a renda familiar. “O que eu gosto mesmo é de ser cambista lotérico. Eu levo comigo a amizade, a confiança do pessoal, a credibilidade e as piadas. Inclusive, ninguém me deixa em paz nessa parte. Às vezes eu estou trabalhando e me fazem parar para contar uma piad...

O melhor presente é estar presente

Imagem
Esta semana, a família virou a dor pelo avesso e o dia do reencontro chegou, sem aviso. “Parece que a viagem de Rondônia a Guarapuava foi eterna. Depois de passar por Cascavel, pensávamos que estávamos chegando em todas as luzes que víamos pela janela! Mas não era. Aquelas horas dentro do ônibus foram mais longas do que todos os anos de distância [mais exatamente 29 anos]”, conta Altair. “Quando ele ligou dizendo que estava na rodoviária, saímos correndo. Eu acabei perdendo os chinelos, a mãe foi bem descabelada. Meu carro não funcionou, peguei as chaves do meu irmão e nem avisei. Foi uma emoção enorme”, lembra Alaor. E eu, que nada tinha a ver com tudo isso, acabei recebendo de presente a possibilidade de contar a história. Leia neste fim de semana, no Diário de Guarapuava. E Feliz Natal!