Perto das cinco da tarde, o quiosquinho fica parecendo um formigueiro. Em pouco tempo, muitos pares de olhos castanhos claros ou azuis esverdeados param como que fascinados pela mágica-máquina-transformadora do líquido escuro numa divertida massa que vai enfeitar a casquinha já murcha. Pessoas de um metro e setenta ou de até menos de um metro se rendem ao momento, enquanto a senhora de cabelos grisalhos manuseia o instrumento e o senhor de pele morena pergunta para o próximo da pseudo-fila: "quer de abacaxi, morango ou uva?". A consistência inexistentemente inexplicável do sorvete americano conquista aos adultos e às crianças. Com ênfase, um garotinho de cabelos queimados pelo sol procura mais umas moedas dentro do estojo guardado na mochila do Batman. Ele esperou toda a tarde para se esbaldar com a delícia, ainda na aula de ciências começou a sentir o gostinho, mas parece que faltam dez centavos para completar um real. "Ai, ai, ai", diz, preocupado. Ele pede empres...