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Ela sorriu para mim

Hoje a tarde uma senhora de cabelos de vovó sorriu para mim. Ela estava me observando, eu percebi. Quando retribui o olhar, senti nela algo de nostálgico, algo de reminiscente e bonito. Aquela mulher deve ter voltado alguns anos nas suas lembranças, talvez tenha trazido à memória a sua juventude, o tempo em que ela também andava pelo mundo sem desconfianças ou comprometimentos. Num simples mover de lábios, deixando transparecer os dentes, senti o peso quase leve dessa peça que nos arma o tempo. Sempre ele. Após passar por mim, fiquei com a cegueira causada pelo reflexo do sol nos seus óculos, um momento apenas, e logo ela sumiu por entre as ruas com calçadas enfeitadas por flores rosa caídas dos pessegueiros. Segui observando as casas, certa de que cada casa é um reino. Às vezes, quase sempre em dias de nuvens branquinhas, dá para ver atrás das janelas entreabertas. Fotografias de família colocadas na estante, ao lado da televisão; pequenos enfeites empoeirados, todos têm. Outras vezes...

filmes em retalhos

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Ultimamente tenho visto uns. Cenas bonitas, entre elas a dança das mãos de Santiago, o acordeom mágico de Janna, a lúcida tristeza de Yesterday. Desses eu gostei. Legenda da imagem: Yesterday; Santiago; House of fools; Estômago; Minha vida sem mim; Paris, te amo; Uma vida iluminada; Garden State; Valentim; Juno; O passaporte húngaro; O homem que não estava lá.

flo-rir (...!)

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"Você sabe que não deve acreditar em mim", alertava, enquanto tinha o rosto virado, a mirar as réstias solares que iluminavam os dentes das crianças na praça. Pensava em coisas como nuvens e alfaces, sentindo na boca um gosto de dejá vù. "Será que sempre será?", (isso em forma de balão-algodão). Tudo tão distante no tempo e no espaço semi-sideral-vilão (argh!), tudo tão perto que quase-que-quase encosta a mão. Mas então houve silêncio e o já visto virou fumacinha (plim!). Voltou-se para ele, que agora observ ava o chão com sua calçada cinza e concretamente sofrida. (Ah!), dois universos tão distintamente parecidos, não tem como dar música, apenas ruídos e um ou dois sorrisos. Mas vez ou outra aquele ali se transforma no seu porto seguro, longe das avenidas e alamedas e tristezas e e's. Só por isso, e por nada mais, ela deixa estar, deixa vir, deixa florescer. E, assim, ambos continuam seguindo, flo rindo . Foto e texto meus.

Fez-se Sol

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Andando pela Guarapuava que restou após tanto céu desabar e dias virarem cinzas e úmidos, eu vi umas cenas que não deviam deixar de dançar. Vi e sorri. Vi e não vi. Vi feito quem pensa em outras coisas que estão nos pensamentos que voltam a brilhar após o encontro com a luz solar, e o silêncio foi quase azul. Assim, lembrei de umas palavras de Quintana: "A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa, como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo... Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam logo ali... Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando."

o que foi mesmo não sendo

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Parou subitamente para olhar, então, não aquilo que poderia ter sido, mas o que foi e, por isso, é. Constatou, sem euforia e com uma sonolência típica, que o hoje foi feito de tantos caminhos idos e vindos (com o all star branco ou não) no decorrer dos anos apressados e que tudo poderia ser diferente, não fossem as ruas, os rostos, os singelos sonhos que atravancaram feito pedra o caminho da menina tão igual às outras. Mas as mesmas palavras que cintilavam anos atrás continuam fascinando. E como quem, só por teimosia, não se rende ao não, ela insiste em acreditar, já sem arrependimento de passados, sem gostos amargos na boca. Chega até a sentir paz. E ela pode seguir pelo caminho que desde sempre foi levada a trilhar, agora vai para um lugar incerto, talvez, o certo é que será. Ah, e o tempo, aquele amistoso companheiro, é apenas o tempo, e tudo o que ele traz. Foto e texto meus.

palavrinhas

A vaca masca inóspito pasto um misto ingrato de saudade e de mato *** o sol se põe põe-se o sol por si e só

Ninguém notou.

Era perto do meio dia e brilhava o sol, alto; muitas pessoas apressadas, todas agindo conforme o script de um dia normal. Eu estava andando cabisbaixa, pensando em várias coisas, aqui e acolá, nem lembro o que eram, se é que eram. Quando olhei para o lado, vi uma mulher segurando um menino, ela pediu dinheiro para comprar comida, eu balancei negativamente a cabeça, como uma resposta automática e segui. Porém, alguns passo s adiante, parei. Começou a incomodar a minha atitude, feito um aperto que maltrata, ora, por que tratar as pessoas como se fossem formigas? Talvez se, ao invés de uma mãe e um filho, estivessem naquela calçada uma cadela com a sua cria, muitas pessoas parariam e exclamariam: "Oh, que dó, tão bonitinhos e abandonados no mundo!", quiçá até os levariam para casa. Mas não eram cachorros, eram humanos e, por isso, não receberam a atenção dos seus "semelhantes". Fiquei com ânsia por ter feito o que fiz: o que todo mundo sempre faz. Voltei e me sentei ao...