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Ir para casa

Descrição de vinte e um minutos e quarenta e oito segundos do meu dia trinta de abril de dois mil e oito; Como é costume, acabei perdendo o ônibus das dezessete e vinte e sete, que vai direto ao terminal, e o vento cortante que anuncia a chegada do inverno acabou com a minha coragem de ir para casa a pé, então esperei o próximo. Às seis horas e nove minutos ele chegou, lotado, o que é comum neste horário. Lá dentro a conversa não era alta, os olhares estavam cansados. (Todo mundo quer ir para casa, todo mundo precisa ir para casa). E é bom lembrar ainda existem os senhores mais velhos, com suas boinas e casacos de veludos, que mantêm a cordialidade e fazem novas amizades a cada passeio, despedindo-se de todos ao descer. No ponto mais escuro, entrou a mulher dos cabelos intermináveis, que só usa saias. Suponho que ela estivesse com frio. Lá pelo meio do caminho, só se ouvia os suspiros. Os mais jovens balançando a cabeça ao ritmo das músicas dos mp4, mp5... Ao meu lado, a mulher dos olh...

O segundo que antecede o vôo.

"Escolhi o dia 20 de abril porque é justamente na lua cheia. Uma alegria você poder contemplar aquele luar espetacular", conta o padre Adelir de Carli. (em 03/03/08). Ele se preparou para bater seu record. Desta vez seriam 20h voando, sem interrupções. O diferencial estaria no meio de transporte: balões de festa gigantes! Desde pequeno tinha esse sonho. Quando via nos desenhos aquelas pessoas subirem aos céus apenas com os balões coloridos cheios, sentia que era isso o que lhe daria alegria, sim, era isso o que ele faria de diferente no mundo. E assim fez. Mesmo com o tempo não favorável, partiu na manhã do dia 20 de Paranaguá, após a missa. Em outras vezes tudo tinha dado certo e ele precisava sair neste dia, para ver a Lua. Mas os ventos o levaram para longe da rota, fazendo com ele chegasse perto do mar. Não. Isso não estava nos planos. E as manchetes de hoje anunciam: "Padre Adelir está desaparecido". Mas há quem pense que ele enfim se encontrou, lá, bem longe, ...
Virado. Não ovo. Apenas do lado avesso, estranho, castanho. Escuro, isso sim. Olho de brilho, de uma paz instantânea, e é certeza que um dia vai olhar bem certinho no meu. Ou não, ou talvez. Ou todavia. Isso se... (péssima palavra quando age como conjunção subordinativa condicional). Melhor esquecer. Mas é que existe um quê de pureza, e é das raras e gera uma vontade de não ir embora, não mais. Nunca mais. Este momento é aquele que poderia ser eterno. Sim. Tudo junto assim. E o tempo passa. E a vida continua. E a esperança definha. E tudo, tudo, segue um rumo, sempre, e é um rumo alheio aos desejos. E as palavras não traduzem.

Nem sempre arco-íris e borboletas

Tudo o que é diferente do que já foi catalogado choca por um tempo, e logo cai no banal, no comum, no natural, no aceitável... Enfim, show é o que atrai. E isso a mídia sabe fazer como ninguém. Há sete dias não se fala em outra coisa: Como a Isabella morreu? E nessa tentativa de informar (será?) não existem barreiras. Num dos piores depoimentos que ouvi, um repórter falou que a menina era cheia de vida, com muitos planos, objetivos... Assim como as outras milhares de crianças da idade dela. Em todas as matérias eles afirmam: “Por enquanto não há nada provado”, mas não economizam na ênfase em certas opiniões, lançam hipóteses para que o público construa a sua tese para o crime. O mistério parece aguçar o público, que se manifesta com todas as emoções à flor da pele... É claro que um fato desses é aterrorizante, mostra o lado mais vil do ser humano, o lado que fere alguém sem defesa. Lembram daquele outro, o menino João Hélio? Também vítima de homens-monstros, que até então existiam ap...

Combinou

Filme: Beto Filmes

Título algum

,sonhava. E sabia que isto lhe custaria algo, não era possível querer sonhar sem pagar por isso. Eles sempre falavam que tudo, tudo, tudo tinha um preço - em certos momentos era alto demais. Mas mesmo assim, sonhava. No fundo queria provar que era possível, era, era... seria. Por um dia, ou dois - quem sabe uma semana - esperava não saber sobre o que a lei previa, sobre o que a TV dizia, sobre o que os outros já tentaram sem obter êxito. Simplesmente precisava de uma nova chance, chance de não entender e mesmo assim transcender. Chance, oportunidade, expectativa, esperança, e mais; Olhando pela janela, todos pareceram como uma colcha de retalhos, de uma só cor. Nada destoava, nem o fio utilizado na costura. Seria angústia aquele aperto perto da garganta? Tomou ar. Sentiu. Mais uma vez e sempre. Insistiu. Por quê? Boa pergunta.

Quero saber bem mais que os meus vinte e poucos anos

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Um texto da minha pequena-grande amiga, Fran. "E o universo glamouroso gera também dolorosas perdas. O rosto e o corpo estampado nas passarelas, nos outdoors, nas revistas e mais revistas tem um preço além daquele representado pelas muitas notinhas verdes que se recebe após cada click. O culto pela ausência das formas femininas. É isso o que é cobrado pelo mercado da moda. O que vai totalmente contra a natureza das curvas delineadas das mulheres daqui. Uma dúvida: Por que não se vê por aí modelos masculinos anoréxicos ou bulêmicos? Não, meu bem. Isso não cabe aos homens. Fomos nós as herdeiras do sofrimento. O rapaz e a moça, altos. Ele, forte. Ela, esquelética para todo o sempre. Se preciso for que retire as flutuantes costelas, que falta farão? Uma dieta de tomate e maçã. Não esquecer de ligar o chuveiro para vomitar. Sempre procurar uma gordurinha. Aqui estão os passos a serem seguidos e que venha a próxima da fila, por favor. As roupas também caem bem em pessoas de massa corp...