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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Valdelira não para


Valdelira diz que acorda bem cedo toda manhã e, antes de colocar os pés no chão, fica durante alguns minutos analisando se existe alguma dor nova no pedaço... E nada. 

Aí desiste e vai direto para o posto de saúde, para aplicação da insulina. É só isso o que ela faz na unidade de saúde. Com o resto do corpo está tudo certo, garante.

Ela conta que nos encontros do grupo de idosas da paróquia é um queixume danado. Todas as amigas reclamam de dor aqui ou acolá. Valdelira queria participar destes papos com propriedade. Mas não pode, porque não tem no que colocar a culpa. 

Aos 81 anos, ela já passou da média da expectativa de vida do brasileiro, que é de 74. Confessa que nem pensa em quantos anos quer viver. Talvez o suficiente para ser contemplada na mega-sena.

De segunda a sexta vai até a lotérica perto do terminal e faz o jogo. “Às vezes meu marido reclama, querendo saber em que lugar eu vou toda manhã!”.  Até hoje, não ganhou nada. Mas sempre há uma chance e vai que...

Antes de voltar para o bairro, passa na capela municipal e reza pelos mortos.


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