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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

João e o Pé de Flores


O homem estava sentado no calçadão da rua Getúlio Vargas ao lado do seu saco-de-estopa-companheiro. O que havia naquela sacola? Eu quis saber quais eram os sonhos mágicos que ele carregava.

E talvez pela curiosidade, passei a vê-lo com frequência nas esquinas da vida rotineira.

Tanto que no outro dia, este mesmo homem estava sentado numa mureta da avenida Moacyr Julio Silvestri. Olhava o movimento incompreensível da hora em que terminam os almoços. Em pensar que ele ainda nem tinha comido naquela quinta. 

Em um sábado deste ano, o homem permanecia parado na rua Saldanha Marinho. Por algum motivo qualquer eu lhe ofereci um jornal-de-enrolar-peixe, e ele retribuiu rapidamente com algumas pétalas vermelhas amassadas. Sem palavras. Como se estivesse óbvio que demonstrar pura gratidão fosse uma atitude comum.

Uma dezena de tardes depois disso, eu o flagrei num cruzamento entre as ruas Capitão Rocha e Paraná. Estando certo de que ninguém o via, furtava flores de um quintal qualquer. Então eu descobri parte do que ele escondia no saco de estopa. Então ele passou a ser ainda mais misterioso. E assim continua.

Toda vez que eu escuto a música João e o Pé de Feijão, do Cícero, rapidamente me lembro deste homem que vagueia pelas ruas de Guarapuava. Hoje eu escutei a tal canção. 


Letra: Ninguém soube que ele foi morar longe. Não, ninguém soube. Não foi ponto, feriado ou desconforto pra ninguém. Diz a lenda que ele trocou suas certezas por alguns sonhos mágicos. Ninguém soube que ele foi morar onde ninguém cabe. Não foi ponto, o comércio estava pronto e vendeu bem no dia de São Ninguém. Ainda não fazem pessoas de algodão. Ainda não fazem pessoas que enxuguem suas próprias mágoas.

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