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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Necessidade de ser legitimado

O “Sangue Latino” é um dos meus programas de TV favoritos. Recentemente, Eric Nepomuceno entrevistou o documentarista brasileiro Eduardo Coutinho, que considera a arte cinematográfica o seu combustível para viver.

Um dos aspectos interessantes abordados foi a maneira como Coutinho define e se relaciona com a “memória”. Os argumentos defendidos por ele, inevitavelmente, vieram ao encontro do que encontro na profissão de jornalista.

“Eu trabalho com pessoas que lidam muito mais, não com o presente da conversa, pouco com os projetos de vida, e imensamente com a memória”, contou o documentarista de "O fim e o Princípio" e "Edifício Master".

“A memória é um ‘troço’ que você constrói. As pessoas falam sobre a infância, sobre as perdas – seja um metalúrgico, seja um velho da Paraíba – e é fascinante no sentido de que toda memória é inventada. Isso não quer dizer que seja mentirosa. Quer dizer que poderia ser diferente, três dias depois, com a mesma pessoa”, acrescentou ele.

Segundo Coutinho, depende muito do momento em que as pessoas dizem as coisas. “E se eu acredito, são verdadeiras, mas não tem como checar, na medida em que falam de sentimentos”.

“Como são pessoas que não aparecem no Google, se falam e falam com força, [as informações] são verdadeiras. Mas, até que ponto checar se são verdadeiros os sentimentos do passado? As pessoas contam as coisas para dar sentido à sua vida. As pessoas têm de ser legitimadas enquanto singularidades. Esta é a necessidade mais essencial do ser humano”.


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